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O Estado de S. Paulo - Recapeamento de vias está parado

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Shoppings de São Paulo terão que cercar vagas para deficientes

Ninguém respetia as vagas para deficientes e idosos. Por isso, os estacionamentos terão que cercar esses espaços.

Ninguém parece preocupado. A família já acabou de guardar as compras, mas continua com o carro estacionado na vaga reservada a pessoas com deficiência. O segurança do supermercado tenta argumentar com o rapaz, mas ele só decide mudar de lugar quando percebe que está sendo filmado: “Não está certo, mas é coisa rápida”.

Em outro supermercado, nem o segurança da loja obedece à sinalização. Na vaga das grávidas, ele decide tirar uma soneca. No shopping, o desrespeito se repete. “É que na pressa a gente chegou e estacionou, né?”, justifica um motorista.

A pressa é a desculpa preferida de quem não respeita as vagas reservadas. “Na verdade, eu não vou ficar mais de 5 minutos. Com certeza não vai preencher todas essas vagas dentro de 5 minutos, certo?”

“Já pensou se todo mundo pensar dessa maneira? Não vai existir vaga para deficientes, não é verdade?”, questiona o superintendente de shopping Júlio César Alloe.

É verdade. É justamente para evitar este tipo de situação que o Ministério Público de São Paulo vai assinar hoje um acordo com 15 shoppings da capital paulista. Os shoppings terão 30 dias para se adaptar. Na área reservada a pessoas com deficiência, não basta sinalização, com placas visíveis e demarcação no chão. Agora, metade das vagas terá que ser cercada.

“Eu vou isolá-las com correntes e vou instalar uma campainha de fácil acesso, quer dizer, do próprio carro, o deficiente pode acioná-la e em seguida, isso cai numa central e alguém imediatamente vem e abre a vaga para que ele possa utilizá-la”, avisa o superintendente do shopping.

Por lei, os shoppings são obrigados a reservar 3% do estacionamento para deficientes físicos. Em um, com mais de 1,9 mil vagas, 60 são para eles.

Os estabelecimentos argumentam que cercar e fiscalizar todas as vagas ficaria caro demais. Mas, pelo acordo, se comprometem a fazer campanhas educativas.

“Infelizmente, nós temos uma parcela significativa da população que não tem educação. Entendemos que você dá educação por meio desses instrumentos”, diz o promotor de justiça Júlio César Botelho.

No Rio de Janeiro, uma lei estadual que acaba de entrar em vigor, garante a idosos e deficientes estacionamento gratuito em qualquer estabelecimento público ou particular.

A aposentada Sônia Maria Revito perdeu parte dos movimentos nas pernas depois de um acidente. Com as novas regras, espera que o desrespeito diminua: “Que parem o carro um pouco longe, faz até bem, se desestressa, e deixa esses lugares para as pessoas que realmente precisam”.

Em São Paulo, a fiscalização será feita pelo Ministério Público e pela população, que pode denunciar. A multa para o shopping que não cumprir o acordo será de 500 cestas básicas.

Fonte: Globo.com